APRESENTAÇÃO
O presente estudo tem como principal objetivo explorar a relação entre a indisciplina, o bullying e a depressão, bem como investigar as interações entre o clima de sala de aula e as dinâmicas familiares em alunos do 7.º ao 12.º ano de escolaridade. Pretende-se compreender de que forma estas variáveis se interligam e influenciam o contexto escolar, familiar e emocional dos adolescentes, contribuindo para o avanço do conhecimento científico e para o desenvolvimento de estratégias de intervenção no meio educativo.
A amostra é constituída por 154 estudantes da Escola Secundária Ruy Luís Gomes, situada na freguesia do Laranjeiro, no concelho de Almada, pertencente à área metropolitana de Lisboa. Os participantes têm idades compreendidas entre os 10 e os 19 anos (M = 15,2), sendo 54,5% do sexo feminino e 45,5% do sexo masculino. A maioria é de nacionalidade portuguesa (75,3%), seguida da brasileira (19,5%), com presença residual de outras nacionalidades. Em termos de escolaridade, os estudantes distribuem-se entre o 3.º ciclo do ensino básico e o ensino secundário, com maior incidência no 8.º (28,6%) e no 9.º ano (24,7%).
Trata-se de um estudo de natureza quantitativa. A recolha de dados foi realizada através de um questionário sociodemográfico e da aplicação de instrumentos validados: a Multidimensional Peer Victimization Scale (MPVS), a Escala de Avaliação da Coesão e Adaptabilidade Familiar (FACES II/III), o Inventário de Depressão de Beck (BDI-II), a Escala de Satisfação com o Suporte Social (ESSS), o Questionário de Traumas na Infância – Versão Breve (CTQ-SF) e a Escala de Avaliação do Clima Emocional na Sala de Aula.
Os resultados evidenciam relações significativas entre a vitimização por bullying, os comportamentos de indisciplina, os níveis de depressão, o suporte familiar, a presença de traumas na infância e o clima emocional da sala de aula. Verificou-se que contextos familiares menos coesos e climas escolares negativos estão associados a maiores níveis de vitimização, indisciplina e sintomatologia depressiva. Estes achados sublinham a importância da escola enquanto espaço de promoção da saúde mental e da convivência positiva, destacando a necessidade de implementar programas preventivos e interventivos dirigidos à realidade dos jovens em contexto escolar. (Vera Lúcia Correia Pacheco)