Os comportamentos de risco são frequentes durante a adolescência e podem ser agravados quando há desequilíbrio familiar. O divórcio dos pais é uma situação desencadeadora de sentimentos de raiva e confusão no adolescente, o que, por sua vez, pode levar à prática dos referidos comportamentos de risco. Torna-se importante perceber o impacto que estes acontecimentos têm nos adolescentes de forma a compreender os fatores de risco e desenvolver intervenções apropriadas para apoiar os adolescentes nessa transição familiar desafiadora, promovendo uma vinculação e comunicação seguras.
Nesse sentido, este estudo tem como objetivo geral comparar a propensão ao consumo de substâncias, em adolescentes com idades compreendidas entre os 12 e os 15 anos, provenientes de famílias divorciadas e de famílias intactas (i.e., famílias nucleares tradicionais). Neste estudo participaram 103 adolescentes (45 do sexo masculino e 58 do sexo feminino). O plano metodológico incluiu a administração de cinco instrumentos: (1) Questionário Socio-Demográfico; (2) Systemic Clinical Outcome Routine Evaluation (Score-15); (3) o Questionário de vinculação ao pai e a mãe; (4) a Escala de Avaliação da Comunicação na Parentalidade; e (5) o Alcohol, Smoking and Substance Involvement Screening Test. Os resultados obtidos sugerem que, contrariamente ao que tem sido apontado por parte da literatura, a estrutura familiar - quer se trate de uma família intacta ou divorciada - não influencia de forma significativa os níveis de consumo de substâncias por parte dos jovens. Do mesmo modo, o facto de os pais consumirem substâncias não parece, neste estudo, exercer um impacto direto no comportamento dos filhos. Estes dados indicam que o consumo na adolescência poderá estar mais relacionado com fatores individuais e contextuais, do que com padrões familiares tradicionais ou comportamentos parentais isolados, desafiando assim algumas das premissas clássicas sobre a transmissão intergeracional do risco. (Joana Filipa Ventura Oliveira)