APRESENTAÇÃO
Segundo a Teoria da Vinculação, o desenvolvimento emocional e relacional do ser humano assenta, desde os primeiros anos de vida, na qualidade das suas relações afetivas mais próximas, particularmente com as figuras parentais. A construção da autoestima e do autoconceito durante a pré-adolescência é fortemente influenciada pelos modelos internos dinâmicos de funcionamento gerados a partir da qualidade dessas experiências precoces. O presente estudo reveste-se de particular relevância por explorar a relação entre a segurança no contexto da relação de vinculação parental, a autoestima e o autoconceito, numa amostra normativa de pré-adolescentes. Trata-se de um estudo de natureza quantitativa, cujo objetivo principal foi analisar de que forma a qualidade da vinculação aos pais se associa à construção do self e ao bem-estar psicológico dos jovens. Participaram neste estudo 103 pré-adolescentes, com idades compreendidas entre os 10 e os 13 anos, a frequentar o 5º e o 6º ano de escolaridade. A recolha de dados foi realizada através da administração de quatro instrumentos: (1) Questionário socio-demográfico; (2) o “Inventário de Vinculação aos Pais e Pares”, que avalia a vinculação parental; (3) a “Escala de Autoestima de Rosenberg”, que avalia a autoestima global; e (4) a “Escala de Autoconceito para Pré-adolescentes”, que avalia o autoconceito em diferentes domínios. Os resultados revelaram que os participantes com vinculação parental segura apresentaram níveis significativamente mais elevados de autoestima, bem como um autoconceito mais positivo e coerente, comparativamente aos participantes com vinculação insegura. Verificaram-se ainda correlações positivas entre a segurança da vinculação e as duas variáveis em estudo (autoestima e autoconceito), sugerindo que o tipo de relação parental é um fator importante no desenvolvimento psicológico dos jovens. Estes dados confirmam a relevância da vinculação parental como base para a construção de um self positivo e adaptativo, reforçando a importância de relações familiares seguras, consistentes e emocionalmente disponíveis no percurso desenvolvimental da criança e do adolescente. (Inês Lobo Serra)