APRESENTAÇÃO
A presente dissertação teve como principal objetivo comparar os impactos da pandemia de COVID-19 na qualidade de vida e saúde mental de adolescentes em Portugal e Timor-Leste. Com base no modelo ecológico de Bronfenbrenner, que realça a influência dos contextos sociais no desenvolvimento humano, analisou-se como os jovens de diferentes realidades socioculturais experienciaram o período pandémico. A amostra foi constituída por adolescentes dos dois países e a metodologia combinou abordagens quantitativas e qualitativas. Recorreu-se à aplicação do WHOQOL-BREF para avaliação da qualidade de vida, bem como à realização de grupos focais para recolha de dados qualitativos. Os resultados quantitativos revelaram que os jovens timorenses apresentaram níveis significativamente mais elevados de qualidade de vida na dimensão psicológica, quando comparados com os jovens portugueses. Contudo, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas quanto à ansiedade durante o confinamento obrigatório. Após este período, os jovens portugueses revelaram níveis de ansiedade mais elevados. Verificou-se ainda que os participantes que testaram positivo à COVID-19 apresentaram níveis superiores de ansiedade em comparação com os que não testaram positivo. Os dados qualitativos complementaram os resultados quantitativos ao indicar que a pandemia impactou negativamente o bem-estar psicológico dos jovens de ambos os países, sendo a ansiedade, o medo e a tristeza os sentimentos mais referidos. Entre os fatores de risco destacaram-se o isolamento social, a desinformação e o medo de contágio, enquanto os fatores de proteção incluíram o otimismo, o suporte familiar e a espiritualidade. (Débora Joana Ribeiro Sousa)