APRESENTAÇÃO
A ansiedade tem-se tornado uma realidade cada vez mais presente no quotidiano das pessoas. Trata-se de uma reação natural perante situações de perigo ou de stress diário e tende a ser mais frequente em indivíduos com maior vulnerabilidade a pensamentos negativos, como aqueles que passaram por experiências traumáticas. Para além disso, também determinadas profissões expõem os profissionais a um maior risco de desenvolver sintomas de ansiedade, devido ao desgaste emocional associado às suas funções. A Polícia de Segurança Pública, uma das forças policiais nacionais em Portugal, é um exemplo de contexto profissional onde a ansiedade é particularmente prevalente. Em grande parte, isso deve-se ao intenso desgaste emocional provocado por diversos fatores, tanto internos como externos. Posto isto, o presente estudo tem como principal objetivo estudar os determinantes da ansiedade em agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP). A amostra é constituída por 1010 elementos da PSP de todo o país, com idades compreendidas entre os 19 e os 66 anos. Para recolher os dados, foi criado um questionário onde foram aplicados os instrumentos: Escala de Ansiedade, Depressão e Stress (EADS-21), Inventário de Ansiedade de Beck (BAI) e, ainda, uma questão de resposta aberta para, assim, entender os fatores da ansiedade, através da perceção individual de cada participante. Os resultados obtidos revelam que a ansiedade em polícias se correlaciona, maioritariamente, com fatores financeiros, de reconhecimento, hierárquicos e institucionais. Salienta-se, assim, a necessidade de se adotar novas estratégias e intervenções, nomeadamente preventivas, nas problemáticas da ansiedade na Polícia de Segurança Pública. (Catarina Sofia Teixeira Cardoso Jaime)