A prática de Restauro de monumentos tal e como se conhece hoje em dia apareceu no século XIX, com as propostas de Eugène Viollet-le-Duc e John Ruskin. Desde então que a disciplina se divide em dois movimentos, um mais ativo que se aproxima mais à construção, e outro mais passivo que prefere a conservação. Com já quase 200 anos de constante desenvolvimento na matéria, o significado atual de “Restauro” em monumentos procura a preservação absoluta da pré-existência, um raciocínio que emergiu em grande parte graças à escola de pensamento italiano, após a destruição provocada pela Segunda Guerra Mundial. Devido à especial importância que o património arquitetónico tem na cultura e sociedade, o tema em discussão sempre ganhou a atenção de agentes externos à arquitetura, particularmente de atores políticos. Isto é um ponto especialmente importante quando se discute o avanço e chegada das teorias de Restauro a Portugal, durante os séculos XIX e XX. O contexto instável do país, tanto a nível político como económico durante boa parte destes séculos, causou um certo atraso na adoção destas teorias que, no estrangeiro, já se aplicavam. Consequentemente, o restauro de monumentos em Portugal demostrou-se particularmente politizado, o que levou a uma tipologia de restauro descuidada que por vezes danificou permanentemente o património arquitetónico. Destaca-se particularmente quando se compara paralelamente com o progresso em outros países na Europa, onde havia maior cuidado no processo de intervenção. O espaço do Restauro na atualidade toma muito mais cuidado com o elemento pré-existente, no entanto, continuam a haver discordâncias no processo interventivo, particularmente na participação de arquitetura moderna no monumento. Esta dissertação estuda dois restauros recentes, A Sé de Lisboa e as Termas Romanas de São Pedro do Sul, por Adalberto Dias e João Mendes Ribeiro respetivamente, as quais foram realizadas com processos metodológicos diferentes. A investigação de ambos projetos permite um melhor entendimento do Restauro contemporâneo no país, sendo que na Sé de Lisboa implementa-se uma mão mais construtiva, enquanto que nas Termas de São Pedro do Sul opta-se por um restauro mais passivo. Com a análise ao contexto histórico internacional e nacional, juntamente com o estudo de dois casos recentes diferentes, ganha-se um melhor entendimento do complexo tema que é o Restauro de monumentos, desde o seu início no século XIX até à atualidade. (Maria de Assis Libório)