APRESENTAÇÃO
Esta dissertação investiga o direito a brincar na cidade enquanto questão urbana, cultural e política, propondo o carácter lúdico na definição do espaço público. Partindo de um quadro teórico que reconhece o jogo como dimensão fundadora da vida coletiva e da vitalidade urbana, revisitam-se contributos clássicos do século XX que transformaram a brincadeira em matéria de projeto, com foco em Isamu Noguchi, Aldo Van Eyck e Charles & Ray Eames. Mostra-se como a vida de rua, a continuidade pedonal e a legibilidade espacial sustentam a segurança, a autonomia e a pertença, e como redes de pequenos parques implantados em interstícios urbanos regeneraram bairros ao ativarem encontros quotidianos. Discute-se, ainda, a passagem do playground-equipamento para a “escultura habitável” e para topografias lúdicas que substituem o catálogo de aparelhos por formas abertas e não programadas. Esta ponte entre o teórico e o prático sustenta a conversão do enunciado “direito a brincar” em critérios operativos de desenho e gestão – acessibilidades, materialidades, escalas – e é aprofundada por intervenções efémeras da autoria do coletivo Os Espacialistas, orientando diretrizes replicáveis para ruas, pátios, praças e interiores de quarteirão, testadas e confirmadas através do trabalho de projeto de 5.º ano do Mestrado Integrado em Arquitetura. (Mariana Gomes Marques)