A presente dissertação investiga de que modo a implantação de uma nova estação ferroviária em Marvila pode atuar como motor de requalificação urbana e de reorganização do território, numa frente ribeirinha marcada por vazios e descontinuidades. Partindo de uma análise crítica do contexto histórico e morfológico do bairro, procura-se compreender como a infraestrutura de transporte pode reforçar a conectividade urbana, aproximando Marvila do restante tecido da cidade de Lisboa e da escala metropolitana, ao mesmo tempo que promove a dinamização do espaço público e a qualificação das suas frentes edificadas. O tema da dissertação tem por base a proposta de projeto desenvolvida na unidade curricular Projeto III, do 5.º ano do Mestrado Integrado em Arquitetura, na qual se ensaiou a inserção de uma nova estação ferroviária em Marvila. Esta experiência projetual funcionou como laboratório crítico, permitindo articular mobilidade sustentável, usos mistos e novas centralidades de bairro, numa perspetiva que procura evitar processos de exclusão e gentrificação e, em vez disso, valorizar a identidade local e as práticas quotidianas dos moradores. Assim, a estação é entendida não apenas como ponto de passagem, mas como elemento estruturante de um sistema urbano mais contínuo, acessível, habitável e inclusivo, contribuindo para um modelo de desenvolvimento urbano mais justo e sustentável em Marvila. (Beatriz dos Santos Pereira Ferreira Barreiros)