O paradigma da economia circular, apesar de já formalmente enunciado e adotado ao mais alto nível, não se encontra ainda satisfatoriamente disseminado e implementado. No caso concreto da arquitetura, o modo como concebemos, fabricamos e executamos os nossos materiais, edifícios e cidades reflete-se ainda na fraca qualificação do ambiente construído, em temos de energia incorporada e da eficiência energética, mas também no que respeita à temática da depleção dos recursos naturais, da poluição e dos resíduos associados, assim como do bem-estar físico e mental dos utentes e habitantes. A conceção e a construção de edifícios, para além do intemporal diálogo entre a arte e a técnica, deve respeitar também a dialética entre a Humanidade e a Natureza, como foi apanágio no passado e condição para o futuro, indo ao encontro dos princípios do desenvolvimento sustentável. É nossa intenção salientar a importância extrema dos atos de projetar, construir e desconstruir edifícios e infraestruturas para a saúde planetária, da qual depende a nossa qualidade de vida. Gostaríamos que este documento pudesse ser útil para a arquitetura do nosso tempo, e no nosso país, para o qual este trabalho tem a veleidade de poder vir a ser um singelo contributo em relação a todos aqueles que entendam dever adaptar a sua atividade, com vista a integrar os princípios da sustentabilidade e da construção circular. (Carlos Alberto de Oliveira Augusto)