APRESENTAÇÃO
As sociedades contemporâneas debatem-se com o enorme desafio de alcançar a plena inclusão, num cenário em que todos sejam capazes de exercer a sua cidadania de forma plena, de ter acesso à saúde, educação, emprego, bem-estar e dignidade, de forma equitativa. Um desafio com maior exigência quando falamos da realidade das pessoas com deficiência e incapacidade (PCDI). A realização e reconhecimento pessoal, social, profissional, a independência económica são basilares para a sua emancipação e inclusão social, sendo, o direito ao trabalho e emprego indissociável. Pretendeu-se, assim, estudar de que forma são implementadas as políticas e medidas de emprego específicas e que práticas inclusivas laborais revelam as Cooperativas de Solidariedade Social (CSS), associadas da Federação Nacional de Cooperativas de Solidariedade Social - FENACERCI, que desenvolvem atividade na área da deficiência, com o objetivo de compreender o seu perfil enquanto empregadoras, relativamente à inclusão de PCDI. Sob o título Inclusão Laboral de Pessoas com Deficiência e Incapacidade: as Cooperativas de Solidariedade Social Associadas da FENACERCI, a presente dissertação teve como objetivos específicos, analisar dados de emprego das referidas entidades, aferir a percepção dos conselhos de administração sobre oportunidades e adversidades organizacionais em matéria de inclusão laboral de PCDI e perceber, neste contexto, que intervenção têm os assistentes sociais, nas práticas organizacionais. Um estudo com uma abordagem metodológica mista, sob o paradigma sociocrítico. Recorreu-se à aplicação de questionários a Conselhos de Administração, assistentes sociais e aos recursos humanos das referidas entidades, bem com à análise documental, num modelo de análise de triangulação, para uma melhor e aprofundada compreensão da realidade. Os resultados obtidos apontam para que as CSS em estudo revelam uma realidade que promove a inclusão laboral de PCDI, que as oportunidades e adversidades percepcionadas, enquanto entidades empregadoras revelam que apesar do forte intuito de contribuir para a emancipação e inclusão laboral das PCDI, os constrangimentos são ainda muito significativos, nomeadamente as barreiras sociais, psicológicas, físicas, de autonomia da PCDI e de questões relacionadas com as medidas e politicas sob esta matéria são insuficientes. O Serviço Social é reconhecido, pelos próprios profissionais, como potencial de intervenção nesta matéria. (Mafalda Raquel Marques Sapateiro)