APRESENTAÇÃO
A presente investigação “Redes de Suporte informal no envelhecimento: o Serviço Social no reforço dessas redes” tem como objetivo analisar as redes de suporte informal das pessoas idosas e o Serviço Social no reforço dessas redes, aprofundando a compreensão de como essas redes influenciam o bem-estar, a qualidade de vida e a autonomia das pessoas idosas e abordando os desafios sociais relacionados com o envelhecimento da população.
A investigação adota uma abordagem qualitativa, sendo orientada pela procura de respostas significativas para as complexidades do envelhecimento, priorizando a compreensão das experiências pessoais e subjetivas das pessoas idosas e dos/as Assistentes Sociais. A amostra selecionada é uma amostra não-probabilística por conveniência, composta por dois painéis: um constituído por pessoas idosas e outro por Assistentes Sociais.
As principais conclusões desta investigação evidenciam que as redes de suporte informal — compostas maioritariamente por vínculos familiares, vizinhos/as, amigos/as e membros da comunidade — assumem um papel estruturante na promoção do bem-estar, da autonomia e da dignidade das pessoas idosas. O seu impacto positivo depende sobretudo da qualidade das relações que as sustentam, sendo fatores como a afetividade, a confiança e a reciprocidade determinantes para a eficácia do apoio prestado.
O Serviço Social, através da intervenção dos/as Assistentes Sociais, desempenha um papel central na articulação entre os recursos formais e as redes de suporte informal, valorizando dinâmicas muitas vezes invisibilizadas quando atua de forma próxima e centrada na escuta ativa.
A investigação revelou ainda a existência de desigualdades estruturais, nomeadamente de género, e ambiguidades entre o apoio formal e informal, o que reforça a necessidade de práticas profissionais mais contextualizadas, interseccionais e sustentadas em evidências. Perante o envelhecimento demográfico torna-se imperativo reforçar modelos de intervenção que reconheçam, valorizem e integrem as redes de suporte informal como parte integrante das políticas de cuidado. (Inês Sofia da Silva Gomes)