O presente estudo pretende promover uma discussão sobre a importância estratégica do rio Mekong, no quadro da segurança humana frente às problemáticas da água no Sudeste Asiático. Pela dimensão e natureza do Sudeste Asiático, fazemos a distinção de duas grandes realidades distintas, por um lado o grupo continental, e por outro lado o grupo insular. Mesmo assim, esta divisão não nos é suficiente, dado que as próprias realidades continental e insular, são bastante amplas e heterogéneas. Por isso mesmo justifica-se restringir o âmbito de análise. Num primeiro nível restringindo à região continental do Sudeste Asiático, e dentro desta região, restringindo adicionalmente à região da Indochina, onde genericamente se inserem o Vietname, o Laos e o Camboja.
Partindo da análise das dinâmicas de hidropolítica na região do rio Mekong, procuramos discutir os processos de cooperação e conflito, particularmente associados à construção de projetos de infraestruturas hidroelétricas.
Da mesma forma, é objetivo do presente estudo procurar analisar o impacto desses mesmos projetos nas dinâmicas da segurança humana a nível das comunidades regionais, desde logo a nível da sua atividade profissional, da sua subsistência e da sua estabilidade.
As dinâmicas de hidropolítica são aqui analisadas num contexto de segurança ambiental, bem como numa lógica de cooperação versus competição, entre os vários atores políticos envolvidos na região do rio Mekong. Procurar-se-á também, analisar as dinâmicas hidropolíticas à vista da tese dos conflitos climáticos, bem como discutir a forma como a conflitualidade hídrica se relaciona com a conflitualidade regional não hídrica.
A análise permitiu identificar diversas fragilidades institucionais a nível da ASEAN, da Comissão do Rio Mekong e da Subregião do Grande Mekong, no que concerne à cooperação regional relativa aos recursos hídricos do mesmo rio. Da mesma forma, foram identificadas possíveis estratégias para colmatar as deficiências existentes a nível da cooperação regional e por último, são propostas linhas de investigação futuras. (João Carlos Marques Simões)