APRESENTAÇÃO
A globalização, impulsionada pelos avanços tecnológicos e pela troca rápida de informações, criou um ambiente altamente competitivo, expondo as economias a novos desafios. Neste cenário, a China, como uma das maiores potências do século XXI, ambiciona expandir globalmente os seus serviços e os seus produtos, com o objetivo de fortalecer a legitimidade do PCC e garantir a sua continuidade no poder. Uma das estratégias adotadas para alcançar essa ambição é a criação da Digital Silk Road (DSR), uma componente estratégica da Belt and Road Initiative (BRI), promove o desenvolvimento digital dos países parceiros através de investimentos, infraestruturas e produtos chineses nesses países parceiros, bem como na implementação de novas normas e padrões internacionais. Adicionalmente, a DSR é também considerada uma ferramenta estratégica de poder geopolítico, permitindo à China expandir a sua influência global ao construir infraestruturas digitais em países parceiros. Estas novas dependências econômicas e tecnológicas criadas pela DSR podem alterar significativamente o equilíbrio de poder global, reforçando a posição da China na arena internacional.
O crescente interesse pela DSR também se reflete na literatura, especialmente nas áreas das Relações Internacionais. A presente dissertação tem como objetivo clarificar se a DSR é um esforço para promover o desenvolvimento tecnológico em países emergentes, oferecendo-lhes acesso a tecnologias avançadas e conectividade digital que poderiam acelerar o seu crescimento económico; ou se, por outro lado, ao expandir a infraestrutura digital global com equipamentos e serviços de empresas chinesas, a China pretende aumentar significativamente a sua influência geopolítica, moldando os padrões e regulamentações tecnológicas, além de fortalecer a sua presença. Com o decorrer do trabalho verificou-se que, ainda que não seja assumido pelo PCC, provavelmente a China utiliza a DSR com um meio para reconfigurar a ordem mundial. (Beatriz Tomás Ramos)