APRESENTAÇÃO
A Endometriose Clínica afeta cerca de 10% das mulheres em idade fértil. Por se apresentar como uma patologia sem cura é retirado às suas portadoras a possibilidade de uma recuperação completa, deixando-as apenas com singelos tratamentos direcionados a sintomas restritos. Tudo isto é visto como um ataque à pouca qualidade de vida, que por sua vez afeta a auto estima sentida e consequentemente a auto imagem que cada mulher detém de si mesma. Neste sentido, o presente trabalho procurou compreender e caracterizar a perceção da qualidade de vida em mulheres com endometriose, tendo em conta, a autoestima, a autoimagem e o tempo de diagnóstico. Foi pedida a colaboração da Associação MulherEndo para uma maior partilha do questionário online. A amostra é constituída por 315 mulheres com idades no intervalo dos 20 aos 55 anos, com um tempo de diagnóstico médio de 149,48 meses e uma maior incidência do grau IV de severidade. A recolha de dados realizou-se através de um questionário compreendido por: (1) Questionário sociodemográfico e clínico; (2) o“ Endometriosis Health Profile-30 (EHP-30)” para a qualidade vida; (3) a “Escala de Autoestima de Rosenberg”, para avaliar a autoestima e; (4) o “Body Appreciation Scale (BAS-2)” para avaliar a autoimagem. Os resultados encontrados demonstram uma fraca e negativa relação entre as variáveis estudadas. A dimensão autoimagem presente no EHP-30 foi identificada como um fator de proteção no que respeita à autoestima e à apreciação corporal. (Patrícia de Almeida Monteiro)