APRESENTAÇÃO
A COVID-19 foi apontada como uma pandemia global que teve diversas consequências adversas para o bem-estar físico, psicológico e social dos indivíduos. Com os sistemas de saúde de todo o mundo em colapso, os profissionais de saúde da linha da frente da COVID-19 tornaram-se um grupo especialmente vulnerável ao desenvolvimento de perturbações e sofrimento psicológico. Neste sentido, este estudo propõe-se a avaliar o impacto que a COVID-19 teve no desenvolvimento da perturbação de stress pós-traumático e no burnout de profissionais de saúde da linha da frente em Portugal. A amostra do presente estudo foi constituída por 152 profissionais de saúde, sendo estes 44,7% enfermeiros, 18,4% profissionais do INEM, 16,4% bombeiros e 20,4% médicos, com idades com entre 20 e 60 anos. De acordo com o objetivo proposto, foram utilizados como instrumentos um questionário sociodemográfico, o Posttraumatic Stress Disorder Checklist for DSM-5 e o Copenhagen Burnout Inventory. No que concerne aos resultados, apenas foram encontrados resultados compatíveis com a existência da perturbação de stress pós-traumático unicamente no sexo masculino, mas a existência de burnout na generalidade da amostra. Como fatores de risco, sugerem-se ser do sexo masculino, ter trabalhados mais de 50 horas semanais em contexto de COVID-19 e ser profissional do INEM. (Marta Isabel Gomes Ramos)