Em Portugal, as perturbações mentais mais comuns, nomeadamente as perturbações de ansiedade e as perturbações do humor, têm uma prevalência elevada, sendo que quase 43% da população irá experienciar uma patologia deste foro no decorrer do seu ciclo de vida (DGS, 2020).
O presente relatório descreve o percurso realizado no âmbito do estágio curricular do Mestrado em Musicoterapia da Universidade Lusíada de Lisboa, tendo o mesmo decorrido no serviço de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital Garcia de Orta, entre setembro de 2023 e junho de 2024.
Durante o período de estágio foram acompanhados onze utentes em formato de consulta individual de musicoterapia, entre o contexto de internamento e a consulta externa de Psiquiatria.
Os objetivos terapêuticos primordiais foram relativos à identidade e autoria da pessoa, à expressão emocional e à relação com o outro.
As técnicas mais utilizadas foram a improvisação, a recriação e a composição de canções, que permitiram estabelecer a relação terapêutica com o utente e desenvolver os objetivos propostos.
No início de cada acompanhamento, e sempre que possível, foram recolhidos dados anamnésicos e a história sonoro-musical dos utentes. Foram também aplicados instrumentos de avaliação, conforme se considerou adequado a cada caso.
Os resultados obtidos revelaram que os efeitos da musicoterapia na pessoa com patologia do foro psiquiátrico incidem ao nível do desenvolvimento pessoal, da melhoria da expressão emocional e da melhoria das relações interpessoais. Foi possível concluir que a musicoterapia, em complementaridade com as terapêuticas farmacológicas e outras não farmacológicas, pode ser uma mais-valia no tratamento de adultos com patologia do foro psiquiátrico. (Leila Isabel Charrua Silva)