O presente estudo aborda um dos grandes desafios existente na gestão de recursos humanos de qualquer organização - o turnover ou saída voluntária de colaboradores, que impõe a necessidade de implementar medidas que permitam, por um lado, a redução da intenção de abandono e, por outro, reforcem a intenção de permanência dos colaboradores na instituição, diminuindo os custos elevados e baixa produtividade resultante da excessiva rotatividade de trabalhadores.
No setor público da saúde, o turnover de enfermeiros, tem-se revelado muito elevado, causando graves dificuldades aos hospitais. No setor público, existem limitações impostas por medidas orçamentais que dificultam uma gestão mais adequada de recursos humanos, principalmente em termos de competitividade remuneratória face ao setor privado, na área da saúde, o que obriga a desenvolver outras estratégias de atração e retenção, para além da financeira.
Deste modo, este estudo pretende identificar os principais fatores que influenciam a intenção de turnover dos enfermeiros nos hospitais públicos, que possam ser diferenciadores entre instituições, de modo a delinear estratégias mais direcionadas à sua retenção, aumentando a estabilidade nas equipas de trabalho e, consequentemente, permitir uma melhoria na qualidade na prestação de cuidados de saúde aos utentes.
Com recurso a uma metodologia quantitativa, através da aplicação de um questionário, participaram neste estudo um total de 581 enfermeiros de hospitais públicos, de todo o país, pretendendo analisar quais os fatores que mais levam à saída dos enfermeiros dos hospitais públicos, se se diferenciam entre as várias zonas do país e entre as diferentes tipologias de hospitais.
Os resultados obtidos no estudo permitem concluir que o comprometimento organizacional é a variável que apresenta maior correlação com a intenção de turnover, seguido da satisfação no trabalho. Foram identificados fatores de satisfação que se revelaram de grande impacto na intenção de turnover, tais como o estilo de liderança, a relação com os pares, reconhecimento e valorização profissional, a disponibilidade de recursos e o modo de organização interna. Por outro lado, verificou-se que a componente afetiva do comprometimento organizacional foi a que revelou maior impacto na intenção de turnover.
Os resultados obtidos permitem às instituições analisar a sua realidade interna e implementarem estratégias que permitam reforçar os fatores que os enfermeiros mais valorizam no desempenho da sua atividade, aumentando a percentagem de retenção e mantendo o equilíbrio interno favorável a uma prestação de cuidados de maior qualidade. (Inês Catarina Lopes Viegas)