APRESENTAÇÃO
A criança está em constante desenvolvimento e adaptação a novas experiências, como por exemplo, pandemias. Experienciar uma pandemia pode ser um evento traumático e pode impactar as redes micro e macrossociais das crianças. O primeiro caso de COVID-19, surgiu em dezembro de 2019 e foi declarado uma pandemia. As pessoas deveriam ficar em isolamento até que houvesse uma solução. O fechamento de escolas e o isolamento social, refletiu-se no desempenho académico, desenvolvimento normativo e saúde psicológica das crianças. Deste modo, este estudo pretende compreender e caracterizar o impacto percecionado pelas crianças, da pandemia de COVID-19, na sua saúde mental e regulação emocional. O desenho do estudo é caracterizado como transversal descritivo com uma amostra por conveniência. O estudo apresenta 180 participantes, com idades iguais ou superiores a 10 anos, a frequentar o 5.º ano de escolaridade. Os instrumentos de avaliação são três questionários de autoadministração: o Questionário de Capacidades e de Dificuldades; a Escala de Ansiedade, Depressão e Stresse para Crianças; e o Índice de Regulação Emocional para Crianças e Adolescentes. Os resultados demonstram que as crianças percecionam possuir uma boa saúde mental e regulação emocional, além disso, ótimas capacidades de comportamento pró-social. As variáveis avaliadas apresentam valores dentro dos parâmetros considerados normativos para a população portuguesa. A perceção da amostra demonstra que experienciam poucos conflitos com o meio exterior e apresentam competência emocional e capacidade de autoconsciência. A partir dos resultados deste estudo, sugere-se para futuras investigações, um estudo longitudinal que investigue o papel da família e/ou da escola durante uma crise acidental ou os fatores protetores da saúde mental e regulação emocional das crianças que vivenciaram uma pandemia. (Stephanie Nayara Silva de Souza)