APRESENTAÇÃO
O presente tema, procura explorar a importância da relação entre o espaço interior e o espaço exterior, utilizando a obra do atelier Aires Mateus.
As fachadas constituem o LIMITE espacial de toda a ação que acontece no interior, estabelecendo com o espaço exterior, relações específicas capazes de manipular a perceção do Homem. Uma proposta de limite, que poderá ser um elemento fundamental do projeto de arquitetura e definidor de uma ideia conceptual.
É através do processo de transposição espacial destes limites, que o corpo humano, por um lado, transita entre espaços, como por outro, é envolvido na trama espacial e na narrativa do espaço pensado pelo arquiteto.
Para além dos outros papeis que desempenha, a fachada também é a representação formal e final da arquitetura, talvez até, responsável pelo primeiro contacto do observador com a obra.
A escolha do programa “Casas” e o habitar unifamiliar fundamenta-se, essencialmente, pelo facto da casa e o seu habitar fazer parte de nós. Todos nós residimos num espaço que é nosso, num espaço íntimo e privado, a nossa casa, convertendo o habitar na base primária da arquitetura, pois todos nós habitamos a arquitetura.
É também, um tema possuidor de diversidade de linguagens e opções formais e espaciais que este tipo de programa tem, insistentemente, pontuado a atividade profissional do Atelier Aires Mateus.
Neste sentido, consideramos que para além da importância de se poder realizar um trabalho de investigação especificamente focado na importância da casa, o mesmo aplicado a casos de estudo do atelier Aires Mateus, poderá acrescentar alguns esclarecimentos menos explorados na obra destes autores. (Sara Sofia Domingues Costa)