APRESENTAÇÃO
Inicialmente, é fundamental a forma como vamos exprimir a ideia do mínimo na arquitetura, a importância deste conceito na praticabilidade da nossa herança cultural, com as suas tradições passadas pelas lições das culturas redutoras. Igualmente, é reconhecido que estas mesmas alcançaram o expoente máximo da essência minimal, através de um modo de vida simples, onde a arquitetura era a expressão arquitetónica dessa redução conscienciosa.
Certamente, o mínimo é muito mais que a simples redução dos elementos na arquitetura, o mesmo é a procura da essência redutiva do funcional arquitetónico, como também da funcionalidade da vida. Os minimalismos, tiveram assim uma repercussão expressiva no modo de vida das pessoas, em movimentos artísticos e estruturais em que o mínimo se tornou o mote do quotidiano. A arquitetura minimal é assim exposta na sua máxima pureza e naturalidade, onde a sua idealização veio a revelar um processo fascinante, em que o homem conseguia assim conquistar o mais com o menos.
O sucesso do mínimo na arquitetura está na ordem das ideias aplicadas, no manifesto de intenções singelas, reduzir com consciência é uma condição primordial, de tal forma que esta postura criou uma tensão entre o homem e o objeto contruído, uma ligação espiritual, um trilho livre para introspeção e meditação pessoal.
Em síntese, numa sociedade de consumo rápido onde o acumular coisas é o espelho de quem quer viver uma vida cheia de coisas inúteis, o mínimo vem assim reduzir as distrações, a origem está na liberdade de vivermos com menos, mas ter espaço para o mais, que é centrado na essência das pessoas e da arquitetura. (Mário Jorge Luz Duarte)