APRESENTAÇÃO
A presente dissertação incide num estudo sobre a relação entre a arquitetura e o cinema, usando como referência a obra arquitetónica Casa Malaparte (1937-1938), do arquiteto Adalberto Libera, e o filme O desprezo (Le Mépris, 1963), do cineasta Jean-Luc Godard. O trabalho inicia-se sobre a procura de um entendimento dos dois ofícios, começando-se por descrever o cinema cronologicamente, desde o seu surgimento até à Nouvelle Vague – movimento onde se insere o filme que se encontra em estudo –, seguindo-se até ao projeto da Casa Malaparte, localizada em Capri, em Itália, identificando e compreendendo as duas linguagens inerentes à arquitetura e ao cinema, que apesar de funcionarem de modo independente conseguem estabelecer uma correlação entre si, manipulando o lugar, o corpo, o espaço e o tempo.
Assim, com a presente dissertação, pretende-se contribuir para uma discussão sobre a inter-relação entre a arquitetura e o cinema, promovendo um conhecimento e um melhor entendimento das linguagens da arquitetura e do cinema – tendo como veículos, como já foi referido, o filme O desprezo a Casa Malaparte, utilizada como “cenário” para o filme de Godard. Pretende-se, ainda, criar um discurso inter e transdisciplinar entre as disciplinas da arquitetura e do cinema.
Para a elaboração deste diálogo, em paralelo, a (re)visita aos lugares filmados por Godard é fundamental, seguindo-se, passados sessenta anos, os passos que Jean-Luc Godard efetuou em 1963. Desse estudo, irá ser apresentado um processo de leitura da Casa Malaparte juntamente com um dissecar do filme O desprezo, resultando numa avaliação qualitativa e quantitativa deste diálogo. Desde os movimentos das personagens pelo espaço aos ângulos de câmara utilizados pelo realizador. (Inês Sofia Valente Morais)