APRESENTAÇÃO
Entre os trabalhos mais empolgantes que os arquitetos poderão abraçar estão, muito provavelmente, aqueles em que são desafiados a construir espaço sagrado. As obras mais emblemáticas, mesmo de arquitetos modernos ou contemporâneos são, num significativo número de casos, igrejas, locais de culto ou outros edifícios-equipamento projetados com a finalidade de se configurarem como lugares ao serviço do cuidado espiritual da humanidade e da busca de respostas às inúmeras questões existenciais, intrínsecas ao carácter e à própria existência humanas.
Desde os primórdios da civilização que arquitetura e sagrado traçam caminho conjunto definidor da evolução da espécie humana, caminho esse que nos permite caracterizar a arquitetura como uma permanente interpretação e representação da própria existência, mas que, ainda assim, deixa algumas questões por responder. Porque levantam os homens templos? Porque procuram os homens, tanger o intangível?
A investigação incide sobre o caso concreto do Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima que conta, no seu património arquitetónico, com um conjunto de significativas obras de autores de reconhecida importância e mantém como permanente presença a relação entre o sagrado e o homem e da arquitetura ao serviço destes, partindo dos registos antropológicos e dos diversos habitares que se vão registando através da experiência sensível dos que habitam. Pretende-se, assim, com esta investigação, minimizar a distância para o entendimento do modo como o Homem expressa, através da arquitetura e ao longo dos tempos, a sua relação com o Sagrado, concretamente num percurso arquitetónico inserido no panorama português, ao longo do séc. XX. (Fausto Gonçalo Raínho Ferreira)