APRESENTAÇÃO
Em 2020 o Mundo foi atordoado com um vírus mortal, o SARS-COV-2, que se propagou e tornou-se situação pandémica, representando perigo na vida das pessoas e, de uma forma particular, na vida das pessoas idosas institucionalizadas.
As Estruturas Residências para Pessoas Idosas (ERPI) acolhem pessoas idosas que por motivos de doença ou dependência, entre outros fatores, procuram o acesso a estas instituições para receberem os cuidados de que necessitam 24 sob 24 horas. Tal como a ERPI, o Centro de Dia procura ser um espaço de prestação de serviços pessoais essenciais e de promoção das relações interpessoais através de atividades de lúdicas, formativas e de estimulação das capacidades físicas e cognitivas. Enquanto estruturas de apoio social, estas instituições tão necessárias às nossas sociedades envelhecidas, encontraram vários desafios devido à pandemia, evento que criou barreiras entre as pessoas idosas institucionalizadas e destas com o meio familiar e envolvente, exigiu mudanças no funcionamento e nos modelos de ação, dificultando o processo de promoção da qualidade de vida dos residentes ou frequentadores.
O processo de Envelhecimento é algo complexo, em que muitas vezes o Isolamento Social é uma realidade, com implicações no bem-estar das pessoas idosas. É importante aprofunda e, até, da Solidão das pessoas idosas institucionalizadas.
Este estudo teve como objetivo conhecer de que forma a COVID-19 se tornou um elemento perturbador na vida das pessoas idosas institucionalizadas e como influenciou o aumento do isolamento social, a degradação do seu estado psicológico e físico. A investigação procurou, também, compreender a pressão foi sentida pelas instituições prestadoras de cuidados, como influenciaram o seu quotidiano as medidas definidas pelo Governo para as estruturas de cuidados aos idosos, assim como conhecer as medidas adotadas por estas para assegurar o bem-estar das pessoas idosas institucionalizadas.
Os resultados indicaram o elevado impacto da COVID-19 no dia-a-dia da população idosa institucionalizada tanto em ERPI como em Centro de Dia, sobretudo ao nível do seu bem-estar. Foi possível compreender que a COVID-19 desencadeou o sentimento de solidão e isolamento nos participantes, relacionados com o afastamento dos seus familiares, restrições no acesso ao exterior, impossibilidade de participação em atividades de lazer, estimuladoras não só da sua saúde física como psicológica. Os resultados constituem ainda uma oportunidade de reflexão sobre a importância da adaptação das instituições ao momento vivido e o papel fundamental das equipas, o seu trabalho de cooperação interprofissional, possibilitando ultrapassar fragilidades de natureza diversa inerentes à pandemia e cumprir o essencial da sua missão: o cuidado e o bem-estar das pessoas idosas. (Alexandra Sofia Osório de Castro Nunes)