APRESENTAÇÃO
O comportamento antissocial representa um fator de risco significativo, com tendência a persistir ao longo da vida caso não seja alvo de intervenção precoce. Compreender os fatores que contribuem para o seu desenvolvimento é fundamental para delinear estratégias eficazes de prevenção. Entre esses fatores, destaca-se a qualidade da vinculação estabelecida na infância, bem como os estilos parentais.
Neste contexto, o presente estudo tem como objetivo analisar de que forma a qualidade da vinculação e os estilos parentais influenciam a manifestação de comportamentos antissociais na idade adulta. Neste estudo, participaram 158 pessoas (88 mulheres e 70 homens), com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos. O plano metodológico incluiu a aplicação de quatro instrumentos: (1) Questionário sociodemográfico para caracterização da amostra, (2) “Predictive Antisocial Spectrum Questionnaire ” destinado à avaliação de traços antissociais, (3) “Parental Authority Questionnaire (PAQ) ” para avaliar os estilos parentais percebidos pelos jovens e, por fim, (4) “Parental Bonding Instrument (PBI)” para analisar a perceção que os participantes têm das atitudes e comportamentos dos pais durante a infância/adolescência. Os resultados evidenciaram que os estilos parentais estão significativamente relacionados à vinculação quanto ao comportamento antissocial. O estilo democrático associou-se a um maior cuidado parental e a menor propensão para comportamentos antissociais, enquanto o estilo permissivo esteve relacionado a níveis mais elevados desses comportamentos. A combinação de estilos parentais disfuncionais e a vinculação insegura aumentou em cerca de 2,7 vezes a probabilidade de manifestação de comportamentos antissociais. (Denise Tiago Barbosa)