APRESENTAÇÃO
A discriminação no local de trabalho constitui um fenómeno com impactos negativos significativos na saúde mental dos colaboradores, especialmente entre aqueles com patologias psicológicas diagnosticadas ou percecionadas. O presente estudo teve como principal objetivo analisar a relação entre experiências de discriminação laboral e níveis de sintomatologia ansiosa, depressiva e psicopatológica geral. A amostra foi composta por 316 participantes adultos de diferentes áreas profissionais, tendo-se recorrido a uma metodologia quantitativa. Foram aplicados três instrumentos: um questionário sociodemográfico, o Inventário de Sintomas Psicopatológicos (BSI) e a Escala de Depressão, Ansiedade e Stress (DASS-21-A).
Os resultados demonstraram que os participantes que reportaram experiências de discriminação, ponderaram abandonar o emprego ou não se sentem à vontade para abordar questões de saúde mental com os seus superiores apresentaram níveis significativamente mais elevados de sofrimento psicológico. Adicionalmente, a perceção de políticas organizacionais ineficazes ou inexistentes revelou-se associada a maior sintomatologia emocional. As análises de regressão indicaram que a perceção de ansiedade, a vivência de discriminação e a ponderação em abandonar o emprego são preditores significativos dos níveis de ansiedade, depressão e mal-estar psicológico global.
As análises de correlação revelaram associações fortes e consistentes entre as variáveis avaliadas, validando os instrumentos utilizados. Os resultados reforçam a importância de ambientes laborais inclusivos e seguros, alertando para a necessidade de políticas institucionais eficazes no combate à discriminação e na promoção do bem-estar psicológico no contexto profissional. (Carina Alexandra Caraça Marques)