APRESENTAÇÃO
Os indivíduos com Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) sofrem episódios de obstrução total ou parcial da via aérea superior durante o sono, resultando num despertar transitório inconsciente e na dessaturação de oxigénio, o que por sua vez, se reflete num sono fragmentado e consequente sonolência diurna. Assim, pretendemos obter conhecimentos relativos à síndrome, identificar o estilo de vida, respetivo impacto na qualidade de vida e alertar para os perigos empiricamente comprovados. Para tal, conduzimos um estudo transversal, com uma amostra de conveniência constituída por 76 pessoas, maioritariamente do sexo masculino, com idades superiores a 50 anos, do concelho de Cascais. Os participantes responderam a um questionário sociodemográfico e clínico, ao Questionário Stop-Bang, ao Perfil de Estilos de Vida II, ao Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh, à Escala de Sonolência de Epworth e ao Questionário de Qualidade de Vida nos Doentes com SAOS, com o intuito de aferir as várias vertentes da qualidade do sono e da qualidade de vida. Os resultados demonstraram que, numa amostra composta maioritariamente por indivíduos com obesidade; são as mulheres, as pessoas que vivem sozinhas e as que se encontram ativas no mercado de trabalho que apresentaram níveis mais baixos de qualidade de vida. Verificou-se também que uma boa qualidade do sono está associada a melhores índices de qualidade de vida e que os participantes que utilizam o CPAP diariamente demonstraram sintomas relacionados com a doença mais atenuados, quando comparados com os que não fazem uso regular do aparelho, traduzindo-se numa melhor qualidade de vida nesta dimensão. (Inês Sofia Félix Cavaco)