APRESENTAÇÃO
Este estudo tem como objetivo analisar o impacto da musicoterapia (MT) na neurorreabilitação de indivíduos com doença de Parkinson (DP), focando os sintomas motores e não motores, bem como os aspetos emocionais, com particular ênfase na autoperceção dos participantes. O presente trabalho corresponde ao relatório final do Mestrado em Musicoterapia da Universidade Lusíada de Lisboa, tendo o estágio decorridono CNS - Campus Neurológico de Braga, em Portugal. Trata-se de um estudo clínico, exploratório e longitudinal que envolveu 12 participantes com diagnóstico confirmado de DP, segundo os critérios da Sociedade Internacional de Parkinson e Distúrbios do Movimento (MDS), classificados entre os estádios 1 e 3 da Escala de Hoehn e Yahr (H&Y). As avaliações foram realizadas em três momentos: início, meio e final da intervenção. Foram utilizados os seguintes instrumentos padronizados: Falls Efficacy Scale - International (FES-I), Unified Parkinson's Disease Rating Scale (UPDRS), 10 Metre Walk Test (10MWT) com sensores inerciais (Xsens), Geriatric Music Therapy Assessment (GMTA) e Patient Global Improvement Change Scale (PGIC). Os resultados evidenciam melhorias nos parâmetros da marcha, refletidas num melhor desempenho no 10MWT. Verificaram-se também melhorias nos sintomas associados à DP (motores e não motores) e uma redução do medo de queda, expressas pela diminuição das pontuações nas escalas UPDRS e FES-I. A aplicação da escala GMTA indicou melhorias nos domínios emocionais, psicossociais e na participação na sessão, refletindo um impacto positivo da intervenção nos aspetos expressivos, comportamentais e relacionais dos participantes. Por fim, a maioria dos participantes referiu uma perceção positiva da mudança, segundo a escala PGIC. Estes dados apontam para o potencial da MT como complemento terapêutico eficaz na reabilitação de utentes com DP , promovendo ganhos funcionais, emocionais e sociais, com efeitos positivos na sua qualidade de vida. (Marta Gama Lima Macedo Pimenta)