APRESENTAÇÃO
Esta dissertação debruça-se sobre a prática da conservação e do restauro na vertente da Arquitetura, dissecando a dualidade destas abordagens universalmente reconhecidas que contribuíram e ainda contribuem para a formação da cultura moderna no entendimento do património edificado. As linguagens utilizadas nesta prática têm evoluído continuamente para uma ou outra posição, perpetuamente antagónicas, convertendo-se num fervoroso debate ao longo dos tempos. Em simultâneo e sobretudo nas últimas décadas, fruto de uma necessidade intrínseca de “criação” de espaço, a recuperação e reconversão de património habitacional, industrial e até religioso desafetado da sua vocação funcional de origem, tem tido cada vez mais expressão, “criando” novos valores onde outrora existiria um objeto construído considerado desajustado, depreciado ou obsoleto. A reabilitação, como enunciado anteriormente, não só pressupõe uma recuperação cultural, como a prática em si, promoverá a reutilização de recursos cada vez mais escassos, convertendo-se numa atitude de gestão económica sustentável do ambiente construído, algo extremamente importante nos dias de hoje, e que terá, conforme temos conhecimento, um enorme impacto no futuro. Todavia depreende-se que nestas transformações, o conceito de simbiose entre o contexto histórico-cultural do passado e a necessidade funcional do presente serão o mote que trará sentido à intervenção, atribuindo-lhe um novo carácter, mas não se desvinculando da herança temporal da pré-existência. Assim, pretende-se com esta dissertação entender os contextos e estratégias adotadas nesta forma de intervenção, procurando esclarecer a atitude implícita nestas novas dinâmicas de reapropriação do espaço e introdução de valores consentâneos para com a sua identificação com o tempo social e económico. (Luís Pedro de Freitas Ribeiro)