APRESENTAÇÃO
A presente dissertação pretende abordar um tema que se considera de grande importância para a qualificação do espaço publico. Este estudo pretende desenvolver um trabalho de comparação entre soluções de desenho aplicadas a um mesmo espaço, de modo crítico. Reconhecer e comparar a transformação operada pelo desenho, neste espaço, entre o final do século XVIII até a atualidade, identificando diferentes problemas que cada solução colocou ou ainda coloca, no campo da acessibilidade / mobilidade, na deslocação entre estes dois lugares urbanos. A mobilidade no espaço público, sendo vinculativa para o projeto de espaço público e, sendo uma questão fundamental para a sua qualificação inclusiva, por vezes, não é muito consciente ao nível do desenho do espaço exterior público subpondo-se a questões formais e ou económicas, naquilo que respeita as condicionantes que advêm das opções de desenho e de materialização, sobre a mobilidade diária do utilizador. Identificar soluções que permitam corrigir este problema de mobilidade no geral e condicionada em particular, compatibilizando o desenho do plano horizontal como elemento estruturante de ligação, cruzando-o com a legislação em vigor na perspetiva de análise crítica, ilustrada pelas diversas soluções que se implementaram na ligação entre estes dois trechos da cidade de Lisboa, ao longo de uma faixa temporal em particular. Identificação de problemas relacionados com a mobilidade na movimentação pedestre, focado nos indivíduos com mobilidade reduzida, idosos, portadores de algum tipo de deficiência, não esquecendo, contudo, as designadas “barreiras arquitetónicas” que impõem dificuldades de mobilidade a todas as pessoas em geral. Este problema abrange toda a mobilidade pedonal e os seus efeitos têm repercussão também no desenvolvimento e qualidade de vida destes dois lugares de estudo; Cais Sodré a Praça do Comercio. Este breve estudo vem mostrar que a cidade é pensada em função do automóvel e não do indivíduo. Os arquitetos e os urbanistas preocupam-se principalmente com as condições para circulação dos automóveis, estacionamentos, circulação e ainda, no contexto atual, também nas condições ambientais, esquecendo que os -passeios- são áreas destinada ao peão, isto é, ao indivíduo, desrespeitando, assim, a legislação em vigor, bem como as normas da Comunidade Europeia e os Direitos Humanos, para que os indivíduos com mobilidade reduzida tenham igualdade de oportunidades. (Ema da Graça Chambino Quaresma Gonçalves)