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Prova pública de mestrado integrado em Arquitetura

 A cor como elemento modelador e caracterizador 
 do espaço construído: o caso de estações 
 de Metropolitano de Lisboa 

Lic. Diogo Ferreira da Silva de Matos Preto

27 abril 2026 • 10H00 - 11H00 • Sala Multiusos — Universidade Lusíada [Lisboa]

APRESENTAÇÃO


Esta dissertação, realizada no âmbito do Mestrado Integrado em Arquitetura, constitui-se em estudar o contributo da cor para qualificar a experiência do utilizador num espaço público. Esta é entendida como um elemento modelador do espaço público, com enfoque nas estações do Metropolitano de Lisboa. Assim, o presente estudo procurar compreender a influência de três elementos – a cor, a luz e a materialidade – para a definição de ambientes, para a orientação de espaços, para a segurança e para o conforto dos utentes, para a edificação da identidade cultural e simbólica do espaço público. A cor é um fenómeno multidimensional, físico, psicológico e social. As interações entre a luz, a matéria e a perceção visual dizem respeito ao plano físico; as emoções e os comportamentos dos indivíduos, que podem despertar tranquilidade, tensão, conforto ou desconforto (Branco, 2022) relacionam-se com o plano psicológico; por sua vez, no plano social e cultural, a cor é a expressão de memórias urbanas, de identidades coletivas e de valores partilhados (Jaglarz, 2023). Neste contexto, o estudo aqui desenvolvido assenta em três eixos basilares – a cor, o espaço e o utilizador. A articulação entre estes três eixos permite a compreensão da cor como um elemento orientador ou estético, comunicando e estruturando a experiência do espaço público. Gomes & Gamito (2022) consideram que a relação entre a cor e a luz é indissociável, sendo que a perceção cromática depende da iluminação (natural ou artificial), da sua incidência e da sua manipulação. Quanto à metodologia adotada, esta dissertação combina, para além de uma pertinente revisão bibliográfica, o levantamento cromático in loco e a aplicação de inquéritos a utilizadores do metro, em quatro estações específicas – Campo Pequeno, Restauradores, Olaias e Gare do Oriente. Em primeiro lugar, estas estações constituem exemplos paradigmáticos de diferentes fases de expansão e linguagens visuais do metro, permitindo uma leitura comparativa entre distintas conceções do espaço público. A escolha responde, assim, à necessidade metodológica de compreender como a cor foi pensada e aplicada em diferentes períodos e contextos arquitetónicos, refletindo evoluções tanto estéticas como simbólicas e funcionais. A estação do Campo Pequeno representa uma fase de consolidação do metro e uma abordagem cromática mais contida e funcional, onde prevalece a sobriedade dos materiais e a neutralidade tonal. A sua inclusão permite observar a perceção da cor em ambientes mais discretos e quotidianos, bem como o impacto da ausência cromática na experiência do utilizador. A estação dos Restauradores, uma das estações históricas do eixo central da cidade, constitui um exemplo de requalificação em que a introdução de painéis artísticos e contrastes cromáticos visa revitalizar um espaço originalmente marcado pela austeridade visual. A estação das Olaias destaca-se pela sua forte expressividade plástica e cromática, concebida por Tomás Taveira para a exposição mundial de 1998. É uma estação emblemática pela sua experimentação formal e explosão de cor, tornando-se um caso de estudo essencial para compreender o impacto sensorial e emocional do cromatismo intenso no espaço público subterrâneo. A estação da Gare do Oriente, projetada por Santiago Calatrava, representa a síntese entre luz natural, estrutura e cor, integrando-se num vasto complexo multimodal que combina arte, engenharia e transparência. A escolha desta estação visa ilustrar uma abordagem contemporânea e harmoniosa da cor, onde esta é parte de uma atmosfera arquitetónica coerente. A diversidade destas quatro estações permite, portanto, abranger diferentes escalas de intervenção, intenções cromáticas e experiências sensoriais, constituindo uma amostra metodologicamente equilibrada. Esta seleção assegura um quadro comparativo representativo do modo como a cor atua como elemento de mediação entre espaço, utilizador e identidade urbana, possibilitando uma análise simultaneamente empírica e fenomenológica. A análise dos dados recolhidos com a aplicação dos inquéritos confirmou a relevância da cor para o bem-estar individual e para o sentido de pertença oferecido pelo espaço. Efetivamente, a cor, aplicada conscientemente, beneficia a funcionalidade e a legibilidade do espaço, promove a inclusão e reforça a identidade do lugar, adquirindo o estatuto de ferramenta fundamental da arquitetura e do urbanismo. (Diogo Ferreira da Silva de Matos Preto)

PROGRAMA


27 ABRIL 2026 • 10H00 - 11H00 • SALA MULTIUSOS — UNIVERSIDADE LUSÍADA [LISBOA]
Título A cor como elemento modelador e caracterizador do espaço construído: o caso de estações de Metropolitano de Lisboa.
MestrandoLic. Diogo Ferreira da Silva de Matos Preto
Júri Prof.ª Doutora Arqt.ª Helena Cristina Caeiro Botelho
Presidente

Prof.ª Doutora Arqt.ª Cristina Maria dos Santos Nunes Pires Caramelo Gomes
Supervisora

Prof. Doutor Arqt. Rui Manuel Reis Alves
Arguente

Organização

Instituto Lusíada de Pós-graduações
Universidade Lusíada

Notícia

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