APRESENTAÇÃO
A arquitetura vive um tempo de mudança silenciosa. A Inteligência Artificial começa a ocupar o mesmo espaço que antes pertencia apenas ao pensamento humano. As imagens, os modelos e as ideias surgem agora de processos partilhados entre arquiteto e algoritmo, num diálogo ainda incerto e por vezes desconfortável. O ato de projetar, que durante séculos foi íntimo e artesanal, entra numa nova fase em que a criação já não depende só da mão, mas também do cálculo. Esta dissertação nasce desse momento de transição. Não procura prever o futuro nem descrever a tecnologia, mas compreender o que muda na essência da arquitetura quando o pensamento é mediado por máquinas. A investigação parte da convicção de que cada avanço técnico reconfigura a maneira como o arquiteto percebe o mundo, e que a Inteligência Artificial é talvez o mais profundo desses avanços. O trabalho propõe uma leitura crítica do presente, observando como a digitalização e a automação estão a alterar o processo criativo, a autoria e a própria ideia de beleza. Ao longo da reflexão, a tecnologia é vista não como ameaça, mas como espelho: revelando tanto as potencialidades quanto as fragilidades da disciplina. Mais do que uma resposta, este estudo é uma tentativa de compreender o lugar do arquiteto neste novo cenário, um espaço onde a criação é partilhada, mas onde o sentido continua a ser humano. (Deniz Can Öztürk)