APRESENTAÇÃO
Esta obra aborda um tema intemporal e fundamental da arquitetura — a sua íntima relação com o horizonte, com o céu, em síntese. Esta temática acaba por convocar outros temas associados, como o das coberturas ou o da luz natural que vem do céu.
O autor regista que no âmbito da teoria e da crítica da arquitetura contemporânea, e também da historiografia da arquitetura, e em particular no contexto português, este tema da relação da arquitetura com o céu tem sido escassamente abordado. Em particular, o Movimento Moderno, privilegiando e banalizando as coberturas planas, dispensou quase por completo essa relação. Felizmente houve exceções!
O termo skyline pode ser usado na análise de diversos elementos predominantemente horizontais, presentes na arquitetura e na construção, como sejam as coberturas, as platibandas, as palas em coberturas, mas também em elementos verticais presentes, como lanternins, chaminés, ou outro tipo de ductos, afetando-os na sua relação com o céu. E aí, segundo o autor, atinge-se uma escala de outra ordem, outras dimensões que envolvem os significados, a ciência ou o sagrado.
Tendo em conta a uma formulação de princípio sobre o importante e decisivo legado do Movimento Moderno, interessa assim perceber como poderá a Arquitetura, no futuro, evoluir no sentido de, por um lado responder aos desafios do século XXI, nomeadamente das alterações climáticas e, por outro lado, como essa evolução poderá levar os arquitetos a refletirem sobre a importância da relação da arquitetura com o céu e como essa relação poderá abrir caminho a novas linguagens para a Arquitetura contemporânea.
A obra apresenta algumas projeções para o futuro, que apelam à inovação, à imaginação dos arquitetos para gerirem uma componente formal e significativa, e ainda vital, da arquitetura — a sua relação com o céu. A forma como a Arquitetura se relacionará com o céu poderá revalorizar, segundo o autor, um diálogo formal que foi sendo perdido desde o início do século XX.