APRESENTAÇÃO
Estilos de vinculação inseguros e dificuldades de regulação emocional, com uso de estratégias pouco adaptativas, tais como a supressão, estão frequentemente associados a padrões de comportamento alimentar pouco funcionais. O presente trabalho afigura-se pertinente tendo em conta a escassez de estudos com amostras normativas e jovens adultos, ao contrário da profusão dos mesmos já existente com adolescentes. Sendo de natureza quantitativa, tem como objetivo compreender e caraterizar a relação entre o comportamento alimentar, a regulação emocional e a vinculação. Participaram neste estudo 123 jovens adultos (27 homens, 95 mulheres e 1 indivíduo não-binário), com idades compreendidas entre 20 e 24 anos. O plano metodológico inclui a administração de cinco instrumentos: (1) Questionário socio-demográfico, (2) a versão Portuguesa do “Three-Factor Eating Questionnaire-R21”, (3) “Questionário de Regulação Emocional (QRE)”, (4) a “Escala de Dificuldades na Regulação Emocional (EDRE)” e (5) a “Escala de Vinculação do Adulto (EVA)”. Os resultados revelam que existe uma associação positiva significativa entre as dificuldades de regulação emocional e os estilos alimentares de alimentação emocional e alimentação descontrolada. Os resultados indicam também uma associação positiva significativa entre a estratégia de supressão emocional e o estilo alimentar de restrição cognitiva. Encontrou-se ainda uma associação positiva significativa entre a dimensão da vinculação “ansiedade” e o estilo alimentar de alimentação descontrolada. Quando consideradas as variáveis socio-demográficas encontrou-se: (1) uma associação positiva significativa entre o Índice de Massa Corporal (IMC) e o comportamento alimentar de restrição cognitiva, e (2) uma associação positiva significativa entre o IMC e o comportamento alimentar de alimentação emocional. As análises de regressão mostram que as dificuldades de regulação emocional são preditores significativos do comportamento alimentar desajustado. Os resultados realçam a importância de uma abordagem multifactorial no estudo do comportamento alimentar, com o desenvolvimento de programas de intervenção que incidam sobre estratégias adaptativas de regulação emocional em jovens adultos. Sempre que possível, deve ser priorizada uma ação concertada e antecipada de prevenção das dificuldades de regulação emocional desde a infância. (Susana Margarida Rego Ferreira)