APRESENTAÇÃO
O luto é uma resposta natural à perda de algo ou alguém significativo. É considerado um processo normativo e necessário para que o indivíduo consiga elaborar a sua perda e possa prosseguir com a sua vida sem a presença do ente querido. A reação à morte pode ser afetada por diversos fatores, entre eles, o suporte social. Este estudo teve, como objetivo geral compreender a relação do suporte social e da sintomatologia psicopatológica nomeadamente a ansiedade e a depressão no processo de luto durante a pandemia de COVID-19. Deste modo, realizou-se um estudo misto (qualitativo e quantitativo). Fizeram parte do estudo 141 enlutados (M= 42.38; DP = 12.16; 87.9% do sexo feminino). Os instrumentos utilizados foram: questionário acerca das circunstâncias de fim de vida e morte do doente, as subescalas de ansiedade e depressão do Inventário de Sintomas Psicopatológicos (BSI), a Escala Multidimensional de Suporte Social Percebido (MSPSS) e o Instrumento de avaliação da Perturbação de Luto Prolongado PG-3. Os resultados demonstraram correlações negativas estatisticamente significativas entre a Perturbação de Luto Prolongado (PLP) e as subescalas do suporte social, amigos (r= -.360, p≤ .001) e familiares (r= -.172, p≤ .005), e positivas com a sintomatologia ansiosa (r= .513, p≤ .001) e depressiva (r= .514, p≤.001). O suporte social apresentou correlações negativas e estatisticamente significativas com a sintomatologia depressiva (r= - .321, p≤ .001) e ansiosa (r = -.177, p≤ .036). Das variáveis em estudo, conclui-se que apenas a depressão se apresenta como preditor significativo para a intensidade de sintomas de luto prolongado (b= .787, p≤ .001). Relativamente à análise qualitativa, o estudo revela como principais fatores de risco para o luto patológico, o isolamento social, a culpa, as circunstâncias de morte e a falta de suporte social. (Maria Rosa Libânia Machado de Nóbrega e Fernandes)