APRESENTAÇÃO
O presente estudo teve como objetivo analisar a relação entre os estilos parentais, as necessidades sentidas pelos pais de crianças portadoras de trissomia 21, comparando assim aos pais de crianças sem qualquer patologia. Ainda foi realizada um entrevista semiestruturada aos pais de crianças portadoras de T21 da associação PAIS 21. Neste estudo participaram 97 (n=97) pais (61.9% do género feminino e 38.1% do género masculino), onde 49 destes pais tem pelo menos um filho portador de trissomia 21. Os dados foram recolhidos através do instrumento EMBU, escala de caracterização das necessidades e por uma entrevista semiestruturada. Os resultados obtidos sugerem que os estilos parentais não são influenciados pela existência de necessidades educativas especiais nos seus filhos; verificou-se ainda que não existem diferenças nas necessidades sentidas pelos pais com filhos portadores de trissomia 21 em comparação com os restantes pais. Por fim, foi possível verificar que a escolha da escola é um assunto muito ponderado e pensado pelos pais de crianças com T21; existem assim algumas expectativas da família relacionados com o desenvolvimento dos seus filhos com T21 sendo uma das maiores dificuldades sentidas pelas famílias a gestão das mesmas, ainda assim existem muito aspetos a melhorar na inclusão destas crianças no ensino público português. Neste sentido pretende-se alertar para a importância da mudança do ensino em Portugal (e.g., instalações, equipas multidisciplinares, formação), de forma a reunirem condições para que a experiência escolar destas crianças seja o mais enriquecedora e formativa possível. Contudo enquanto sociedade existe um longo caminho a fazer no que diz respeito as necessidades educativas especiais e a forma como encaramos e interagimos com as mesmas. (Catarina Isabel Saraiva Fernandes)