APRESENTAÇÃO
No âmbito da publicação do livro intitulado "A Casa Nobre de Lázaro Leitão Aranha [Universidade Lusíada]", da autoria do Professor Doutor Horácio Bonifácio, irá ocorrer, no dia 8 de novembro de 2023, entre as 18H30 e as 20H00, no Auditório 1 da Universidade, uma palestra intitulada "A Casa Nobre de Lázaro Leitão Aranha — A recuperação da arquitetura doméstica lisboeta do século XVIII", proferida pelo Mestre Sérgio Paulo Martins Gorjão, diretor do Palácio Nacional de Mafra.
A Casa Nobre de Lázaro Leitão Aranha, atual sede da Universidade Lusíada, constitui-se como uma significativa obra do Barroco doméstico lisboeta. Projetado por Carlos Mardel, um dos mais importantes arquitetos que trabalharam em Portugal no século XVIII, este edifício, sendo o primeiro que realizou em Portugal, anuncia um percurso com influências da arquitetura barroca, elegante, simples e poderosa da Europa central, mas que nunca deixou de entender as caraterísticas específicas da simples, equilibrada e austera arquitetura portuguesa, o que a sua participação na reconstrução da cidade depois do terramoto de 1755 corrobora.
As intervenções realizadas na casa no início de novecentos deixaram a sua marca indiscutível na obra inicial, acabando, todavia, por se relacionar bem com ela, nunca pondo em causa o programa original. Na realidade, se a nova entrada procura, não apenas com o enquadramento azulejar, mas principalmente com o caráter teatral da escada, aproximar-se da estética do Barroco, por outro lado, o espaço da biblioteca, particularmente a sua gramática decorativa, não faz esquecer, nem pretende, aquela estética, ou mesmo alguma influência do Maneirismo, movimentos que, além disso, estarão sempre ligados, pelo menos no entendimento dos artistas ecléticos dos séculos XIX e XX.
Este trabalho pretende ser um contributo para a compreensão desta obra integrada na sua época, desde a fundação, na primeira metade de setecentos, até às últimas e significativas obras do início do século XX, procurando entender as questões relacionadas com o lugar, o encomendador, os arquitetos, os modelos, os diferentes utilizadores, os usos, e as obras e alterações realizadas no edifício ao longo do tempo como fatores determinantes para a compreensão total de um objeto arquitetónico particular e, naturalmente, para o seu enquadramento na arquitetura coeva.