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APRESENTAÇÃO


No âmbito da licenciatura em Jazz e Música Moderna da Universidade Lusíada, teremos a presença do músico e compositor Rão Kyao numa tertúlia, no dia 25 de outubro de 2022, entre as 14H00 e as 16H00, na Auditório 4 da Universidade Lusíada. A conversa irá incidir na produção musical e na carreira de Rão Kyao.

Este tipo de evento tem-se revelado determinante na formação dos músicos, uma vez que põe os estudantes em contacto direto com especialistas, proporcionando-lhes um trabalho focalizado em aspetos concretos relacionados com a música, nas perspetivas teórica e prática.

BIO


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Rão Kyao
Músico e compositor

Em Junho de 2007 é condecorado com o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

Em Junho de 2010 foi condecorado pela Société Académique des Arts, Sciences et Lettres de Paris.

Fevereiro 2013 recebe o Prémio "Pedro Osório", Atribuído por a SPA pelo CD "Coisas que a Gente Sente".

Novembro 2013 é-lhe atribuído o Prémio "Carlos Paredes" pelo Pelouro da Cultura da C.M. de Vila Franca de Xira ao CD "Coisas Que A Gente Sente".

Rão nasceu em Lisboa, começou a estudar saxofone e flauta ainda na adolescência e em 1965 começou a pisar palcos, sendo várias vezes aplaudido no Hot Clube, tendo a oportunidade de pisar as tábuas do mítico espaço lisboeta ao lado de figuras tão importantes quanto os americanos Don Byas e Dexter Gordon ou o britânico Ian Carr. A experiência recolhida permitiu-lhe estrear-se no Festival Internacional de Jazz de Cascais em 1971, já lá vão 50 anos, como parte dos The Bridge. Voltou a participar no mesmo evento em 1972 com os Status e nesse mesmo ano juntou-se a vários nomes conceituados na música portuguesa, como Paulo Gil, José Niza ou José Calvário, para secundar Mário Viegas no álbum de poesia declamada Palavra Ditas editado pela Orfeu. Respondia ainda ao nome Ramos Jorge.

A sede de mundo que Rão Kyao nunca escondeu sentir cedo o levou para fora das nossas fronteiras: fez temporadas em clubes de jazz de Madrid e depois rumou a França, onde não apenas começou a estudar música indiana, sempre em busca de uma raiz distante que ele sentia existir na música portuguesa, como também começou a participar em sessões de estúdio, nomeadamente ao lado de conceituados músicos africanos: em 1974 gravou em Paris com o trompetista nigeriano Ray Stephen Oche o álbum Interpretation of the Original Rhythm.
De volta a Portugal, já depois do 25 de Abril, participou em 1976 nas gravações daquele que é apontado como um dos mais importantes discos de rock da década, Homo Sapiens, criação dos Saga de José Luís Tinoco em que participavam igualmente outros grandes músicos como Zé da Ponte, Fernando Girão ou Fernando Fallé. Esse foi igualmente o ano em que se estreou em nome próprio nos discos, lançando na Valentim de Carvalho a hoje cobiçada peça de coleção Malpertuis, disco que contava com produção de Paulo Gil, grande agitador do jazz nacional, e que contava com participações de Fernando Girão ou de António Pinho Vargas. No ano seguinte, o seu álbum Bambu, que reunia a nata dos músicos portugueses contando com Celso Carvalho da Banda do casaco, Victor Mamede do Quarteto 1111 ou, uma vez mais, António Pinho Vargas, conquistou a distinção de álbum do ano pela crítica especializada. Antes da década de 70 terminar lançou ainda o experimental álbum Goa que cimentou ainda mais a sua reputação como músico com espírito pleno de aventura, espírito esse que não muito tempo antes o tinha levado até Bombaim, na Índia, para participar num festival local como parte da banda de Clark Terry. A viagem foi, claro, aproveitada para uma estadia de vários meses que foi devotada ao estudo.

A década de 80 arrancou com o lançamento de um álbum gravado ao vivo no Festival de jazz de Cascais com três músicos britânicos, incluindo o pianista Mike Carr, irmão de Ian Carr, uma das grandes referências do instrumento em Inglaterra. Ritual foi o álbum lançado em 1982, resultado de uma colaboração com uma secção rítmica de músicos indianos, e depois, voltando-se de novo para as suas raízes e para uma das suas grandes paixões, o fado, Rão haveria de lançar em 1983 aquele que é ainda um dos maiores sucessos da sua carreira, o clássico Fado Bailado, um dos primeiros trabalhos em que o fado foi abordado por um músico com uma perspetiva exterior, fresca e inventiva. Foi o primeiro álbum português a ver as suas significativas vendas traduzirem-se no galardão de platina! Estrada da Luz, o seu álbum seguinte, popularizou-o como flautista e chegou ao topo das tabelas de vendas, fazendo de Rão Kyao um nome de referência na música portuguesa mais popular.

As suas aventuras musicais levaram-no depois a Macau, onde gravou o álbum Macau o Amanhecer, editado em 1984, com o resto da década a revelar ainda as edições de Danças de Rua, outro enorme sucesso e uma produção ambiciosa que decorreu entre o Rio de Janeiro e Lisboa e que contou com a participação de músicos como o grande acordeonista Sivuca, e ainda Viagens na Minha Terra.

Nos anos 90, Rão provou ser um dos músicos portugueses mais em sintonia com a ideia de world music, gravando logo em 1991 o clássico Delírios Ibéricos com os espanhóis Ketama, talvez o primeiro grande encontro entre a música portuguesa e o flamenco. O fado e o Oriente inspiraram o resto da década, incluindo o trabalho Junção Macau gravado em 1999 com a Orquestra Chinesa de Macau, mais um marco na história da música portuguesa e da sua relação com o mundo.

Os últimos 20 anos foram igualmente recheados de conquistas: dilatou a sua discografia com trabalhos que voltaram a recolher elogios da crítica e favores do público – tais como Fado Virado a Nascente (2001), Porto Alto (2004), Em’Cantado (2009) ou, entre outros, Coisas Que a Gente Sente (2012) – viajou pelo mundo, arrebatou audiências e conquistou prémios e honrarias de topo, como a Ordem do Infante D. Henrique, a ele atribuída em 2007 pelo Presidente da República, ou a comenda da Academia das artes e Ciências de Paris, em 2011, atribuída pelo estado francês.

Todos estes marcos fazem da carreira de Rão Kyao uma das mais ricas e extensas da música portuguesa: Rão viu o mundo como poucos, dialogou com muitas culturas, de África ao Brasil, da China à Índia, da América a Espanha, procurando sempre usar a alma portuguesa que tão bem traduziu com o seu sopro singular como ponte para a aproximação com outros povos, outras línguas e outras experiências. Nenhum outro músico português o fez desta forma, com esta intensidade e com tamanho reconhecimento.

Sitio web do músico.

PROGRAMA


14H00

Sessão de abertura:

14H10

Tertúlia com Rão Kyao.

Músico:

Moderador:

16H00

Sessão de encerramento:

 

Organização

Notícia

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FOTOGALERIA


PEDIDO DE INFORMAÇÃO


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   Gabinete de Relações Públicas

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