APRESENTAÇÃO
As emoções, ao orientarem o comportamento, constituem uma parte fundamental da aprendizagem humana. Uma vez que a regulação emocional se define como o processo de escolha responsável por compreender, equilibrar e decidir que emoções sentir e expressar, a dificuldade na regulação das emoções revela-se um fator que aumenta a probabilidade de comportamentos de risco, nomeadamente relacionados com o consumo de substâncias psicoativas. Assim, o principal objetivo desta investigação consiste em compreender e caracterizar a regulação emocional em adultos com dependência de álcool e/ou substâncias aditivas, examinando ainda a autoestima dos indivíduos. A amostra do estudo foi constituída por 243 participantes (M=44,85 anos), sendo que 115 participantes eram do sexo feminino e 128 participantes do sexo masculino, divididos por dois grupos: o Grupo Clínico, composto por 103 participantes; e o Grupo de Comparação, composto por 140 participantes. Neste estudo foram utilizados dois instrumentos psicométricos: a Escala de Dificuldades de Regulação Emocional (EDRE) e a Escala de Autoestima de Rosenberg (EAR). Os resultados sugerem diferenças estatisticamente significativas entre os grupos quanto à regulação emocional e à autoestima. Indivíduos dependentes de álcool e/ou substâncias aditivas apresentam maiores dificuldades de regulação emocional e maiores níveis de autoestima em comparação com indivíduos sem esse tipo de dependências. Os resultados mostram assim que a autoestima é também um fator associado ao consumo de substâncias psicoativas, estando associada a alterações na saúde mental do indivíduo, associadas ao consumo. A autoestima elevada pode potenciar o consumo de substâncias psicoativas e, consequentemente, situações de dependência. Estes resultados mostram a importância das emoções e da regulação emocional para o ajustamento psicossocial dos indivíduos com dependência de substâncias psicoativas. (Liliana Ribeiro da Costa)