Na última década, observou-se uma crescente insatisfação corporal e um comportamento alimentar pouco saudável devido à influência dos pares nas escolhas dos adolescentes. A imitação de comportamentos alimentares inapropriados por parte dos jovens pode refletir-se em prejuízos ao nível da saúde física e psicológica.
O principal objetivo do estudo é compreender e caraterizar a relação dos pares com os comportamentos alimentares e com a imagem corporal na adolescência.
Foram utilizados os dados do estudo Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) de 2018, que pretende estudar os estilos de vida dos adolescentes e a forma como se comportam nos diversos contextos. A amostra escolhida é do tipo probabilístico por conglomerados (“cluster sampling”). Contando com a participação de 1927 jovens, cuja média (M) de idades é de 14,96 (variando entre 10 anos e 22 anos) e o desvio padrão (DP) representa 2,50. No que diz respeito aos anos de escolaridade observa-se que 547 correspondem ao 8º ano (38,3%), 529 ao 10º ano (37%) e 353 ao 12º ano (24,7%). Em relação ao género dos inquiridos percebe-se que 56% (n = 1080) são do sexo feminino e, por outro lado, 44% (n = 847) pertencem ao sexo masculino. Na vertente qualitativa foram utilizados três grupos focais (50 alunos do 9º ano) de modo a entender o ponto de vista dos jovens acerca do tema.
Os resultados quantitativos e qualitativos evidenciam que o grupo de pares tem influência nos comportamentos alimentares e na imagem corporal dos adolescentes. Em relação ao género, foi possível observar que as raparigas apresentam uma pior perceção em relação ao corpo do que os rapazes e que os rapazes consomem mais refrigerantes do que as raparigas. Quanto ao ano letivo, verificou-se que os alunos do 8º ano consomem mais frutas e refrigerantes do que os alunos dos outros anos e que os alunos do 12º ano apresentam maior predisposição para dietas do que os alunos dos outros anos. Ao nível das correlações, percebemos que a variável relação com os colegas se encontra relacionada com as variáveis que nos propusemos a estudar (perceção do corpo, consumo de frutas e vegetais, dieta, qualidade de vida e competências sociais).
O psicólogo, em paralelo com a escola e as redes de suporte, deve ajudar os adolescentes a focarem-se na adoção de um estilo de vida saudável. (Carolina Pereira Pinheiro)