Em 2020 a OMS declarou o início de uma pandemia que viria a desencadear necessidades e desafios que estiveram na origem de novas formas de adaptação, como a utilização de novas tecnologias. Durante este período, observou-se um aumento da utilização das plataformas online que assumiram um papel fundamental na vida dos indivíduos, em diversos contextos. Contudo, verificou-se simultaneamente um aumento da utilização problemática destas plataformas associado a alterações físicas, psicológicas e sociais. Neste sentido, este estudo pretende compreender e caracterizar a relação das variáveis do ambiente biopsicossocial com a perceção de dependência das plataformas online, nomeadamente, das Redes Sociais (RS). Para o efeito, foi desenvolvido um modelo de regressão linear, com base numa amostra de 7545 sujeitos, 70% do sexo feminino e 30% do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 18 e os 90 anos (M=48.19; DP=14.03). Obteve-se um modelo ajustado que explica 40% da variância da dependência das RS [F(5, 4769)= 638,64; p<0,001). Os resultados indicam que a perceção da dependência das RS é influenciada por variáveis biológicas/fisiológicas e psicossociais. Conclui-se que um ambiente biopsicossocial mais ajustado surge associado a uma relação de menor dependência com as RS. Este trabalho enfatiza a importância da análise das dependências online numa perspetiva biopsicossocial e identifica indicadores relevantes para o desenvolvimento de ações de prevenção, no âmbito da psicologia clínica e da saúde. (Bárbara Catarina Sousa Moraes)