Nesta investigação, procurou-se compreender e caracterizar a existência de stress póstraumático e sintomatologia de ansiedade nas vítimas de violência doméstica e de stalking.
Realizou-se uma investigação com o recurso a 256 participantes, dos quais 240 eram do sexo feminino e 15 do sexo masculino, em que 182 participantes sofreram de algum tipo de violência e 74 participantes não sofreram de violência. Destes 182 participantes que sofreram de violência 74 sofreram de violência doméstica, 34 de stalking, 40 de ambos e 34 de outro tipo de violência. A investigação foi organizada através do preenchimento de um questionário sociodemográfico e de instrumentos que avaliam a vitimação por violência doméstica, a vitimação por stalking, a existência de sintomatologia da perturbação de stress pós-traumático e a existência de sintomatologia de ansiedade. Os resultados encontrados sugerem que sofrer de um dos tipos de violência (seja violência doméstica, stalking ou de ambos) não está relacionado com o facto de vir a desenvolver sintomatologia de ansiedade e sintomatologia da perturbação de stress pós-traumático. Verificou-se que existe relação positiva entre o tempo de vitimação por stalking e vir a desenvolver sintomatologia de ansiedade. Assim, é possível observar que mesmo sofrendo de algum tipo de violência (seja violência doméstica, stalking ou ambos) não significa que a vítima venha a desenvolver sintomatologia de ansiedade e sintomatologia da perturbação de stress pós-traumático, mas existem fatores que podem desencadear o desenvolvimento de sintomatologia de ansiedade e sintomatologia da perturbação de stress pós-traumático. (Ana Patrícia Soveral Albuquerque Cabreiro)