Este trabalho retrata uma intervenção de Musicoterapia no âmbito de um Estágio curricular do Mestrado em Musicoterapia da Universidade Lusíada de Lisboa, realizado com crianças e jovens em risco/perigo, com idades compreendidas entre os 10 e os 13 anos de idade, na Escola Básica de 2º e 3º ciclos Manuel da Maia, em Campo de Ourique, no Gabinete de Atendimento Prioritário (GAP), resposta constante do programa de Território Educativo de Intervenção Prioritária (TEIP).
Durante o Estágio, que decorreu ao longo de 9 meses, no ano letivo de 2020/2021, foram acompanhados, em setting individual, sete alunos em sessões presenciais de 50/60 minutos, uma vez por semana, mesmo no período de confinamento. Este Relatório apresenta em maior detalhe dois estudos de caso, com uma análise particularizada dos processos musicoterapêuticos, técnicas e modelos que nortearam a abordagem.
O estudo realizado assentou numa metodologia mista, sendo a dimensão quantitativa medida através do instrumento de avaliação Kidscreen-52, aplicado antes e depois da intervenção; e a dimensão qualitativa medida através de questionário ad hoc elaborado pela Estagiária dirigido aos alunos acompanhados e respetivos professores, bem como pelas reuniões e entrevistas tidas com os respetivos Encarregados de Educação.
Estatisticamente, não se verificaram diferenças significativas, com exceção da dimensão “amigos” do Kidscreen-52, que revelou franca melhoria, aspeto este de primordial importância nesta fase do desenvolvimento. Quanto à dimensão qualitativa, quer de modo formal, quer informal, foram manifestos os benefícios retirados desta intervenção, tendo-se registado melhorias a vários níveis, nomeadamente relações com os pares, competências comunicacionais, maior capacidade de insight e uma maior adequação em contexto de sala de aula, bem como uma melhor capacidade de expressão pessoal e emocional e aumento de auto-estima. (Filipa Maria Fernandes de Andrade)