O presente relatório descreve o trabalho clínico realizado no âmbito do estágio curricular do Mestrado em Musicoterapia da Universidade Lusíada de Lisboa. O estágio decorreu na Casa do Povo de Santa Bárbara da Ilha Terceira, entre outubro de 2020 e junho de 2021.
A população alvo do presente estudo são os idosos, com uma faixa etária compreendida entre os 70 e os 93 anos. As principais problemáticas a eles associadas são a perturbação depressiva, a perturbação de ansiedade, a demência, a debilidade motora, as dificuldades auditivas e visuais, o decréscimo da capacidade de autonomia e da agilidade mental e cognitiva. Há evidência científica sobre a eficácia da musicoterapia na melhoria da qualidade de vida das pessoas idosas, com ou sem disfunção cognitiva, sendo esta capaz de promover um envelhecimento saudável.
Ao longo dos 8 meses de intervenção, realizaram-se sessões individuais e de grupo, com periodicidade semanal. A intervenção individual dirigiu-se a 6 idosos com diferentes problemáticas: ansiedade, depressão, demência, impulsividade e dificuldades motoras. Para a intervenção de grupo, agruparam-se os idosos com características mais parecidas, sendo que existiram 3 no total: o grupo A (autonomia mental), o grupo D (demência) e o grupo S (surdez). Para a avaliação individual quantitativa, utilizaram-se as escalas HADS e o Mini Mental State. Qualitativamente, os indivíduos foram avaliados através de uma grelha de observação/avaliação, baseada na de Minds-Musken. Esta grelha foi também utilizada para avaliar os indivíduos em grupo, tendo sido adicionado mais um item.
Os resultados obtidos na intervenção individual demonstram uma melhoria da expressão emocional, uma maior desinibição e uma diminuição dos níveis de depressão. O aumento da expressão facial, da tomada de iniciativa e da interação musical com os pares e a musicoterapeuta foram os aspetos mais relevantes da intervenção de grupo. Assim, é possível afirmar que a musicoterapia exerce benefícios na qualidade de vida dos idosos e no seu bem-estar físico e psicológico. (Daniela Areias Pacheco)