Na presente dissertação o tema de reabilitação e património procura relacionar a intervenção no património histórico com as várias abordagens arquitetónicas nos edifícios de cariz patrimonial. O termo património constitui um tema vasto e extenso, que ao longo dos anos veio a sofrer alterações de conceito, neste sentido, a intervenção de reabilitação em monumentos históricos tem sido um desafio, no sentido em que a abordagem e linguagem a utilizar nestes edifícios e sítios deve ser cuidada e cautelosa. A noção de património compõe por si só o interesse de se defender, reconhecer e preservar os edifícios e sítios históricos. Tornou-se assim fundamental para a concretização deste trabalho, a investigação de três casos de estudo que vão sustentar esta ideia: Mosteiro da Flor da Rosa, Museu Nacional Machado de Castro e Edifício Castro e Mello. São três tipologias distintas, com épocas díspares e funções diferentes. Contudo, a finalidade de conservar e conferir continuidade ao património histórico mantém-se comum entre eles.
As histórias destes edifícios remontam a diferentes construções e épocas distintas. Considerado um dos monumentos mais importantes de Portugal, o Mosteiro da Flor da Rosa, fundado no séc. XIV por Frei Álvaro Gonçalves Pereira, prior do Crato, alberga na sua constituição estratos de várias épocas originados das várias configurações que foi conferindo ao longo do tempo. De estilo medieval e renascentista, compõe na sua composição elementos renascentistas, góticos e mudéjares. A intervenção de reabilitação do monumento é discreta, assumindo uma postura contemporânea com a introdução de um volume estendido para o exterior, gesto que culmina num conjunto entre o antigo e o novo, concedendo ao mosteiro um papel principal do conjunto. O Museu Nacional Machado de Castro situado na colina de Coimbra, conserva na sua génese 2000 anos de história. Um complexo coberto de camadas históricas: a estrutura do Criptopórtico romano, o Paço Episcopal que se abre para a paisagem através da magnífica galeria renascentista de Felipe Tércio, seguindo-se de adaptações constantes no início do séc. XX. A arqueologia do sítio revela uma importante disciplina na intervenção de recuperação e ampliação do monumento. Além da intervenção na reabilitação no museu, a ampliação traduz-se na introdução de três volumes contemporâneos, um para poente na zona do criptopórtico e os outros dois na ala noroeste do museu. Íntegra vestígios e elementos arqueológicos descobertos “in situ”, e inclui construções existentes no museu tornando-as peças expositivas. O edifício Castro e Mello situado no Chiado, em Lisboa, remete ao acontecimento do incêndio em 1988. Localizado na zona histórica da baixa, insere-se num contexto urbano em que a reconstrução pombalina no pós-terramoto de 1755 está inerente à história do lugar. Na reabilitação dos edifícios ardidos e na reconstrução do Chiado o conceito pombalino torna-se o cerne da recuperação desta zona sinistrada do Chiado. A contemporaneidade nesta intervenção traduz-se nas ligações espaciais entre edifícios e atravessamentos públicos. O espaço público funde-se com o interior dos quarteirões e os edifícios seguem uma leitura pombalina. A história do lugar revela-se assim, dominante.
Nesta dissertação defende-se que a componente histórica de um lugar ou edifício deve contribuir para a preservação e valorização do património. (Anaísa Filipa da Conceição Farinha Guedes)