A presente dissertação propõe-se investigar o papel da arquitectura num contexto de crise humanitária, da qual resulte uma necessidade de abrigo de transição.
Os campos de refugiados têm as características físicas de um assentamento de carácter temporário. Contudo, na realidade, o problema pode dilatar-se por um período de tempo relativamente longo, levando a condições de habitabilidade muito precárias. Este facto suscita a questão da adequação dessas soluções às necessidades dos seus beneficiários. Surge, assim, uma questão: conseguirá uma solução planeada para um curto prazo suprir os problemas do abrigo de populações refugiadas a médio-longo prazo? Este foi o ponto de partida para a investigação.
Sabe-se que um abrigo é uma necessidade básica do ser humano e que deve ser condigno. Dessa forma, a investigação procurará saber como é que a arquitectura poderá responder ao problema do confronto entre o carácter temporário dos abrigos comummente adoptados e a realidade da efectiva duração da permanência das populações refugiadas nesses abrigos.
Em resposta a este complexo cenário, a organização não-governamental The Sphere Project definiu o termo ‘abrigos de transição’, que consistem em estruturas destinadas a mitigar o problema desse confronto. Assim, a dissertação irá debruçar-se sobre as seguintes questões: em que consiste a arquitectura de transição? Em que circunstâncias é que se justifica a utilização de uma solução temporária? E em que circunstâncias é que se justifica a utilização de uma solução de transição?
A investigação será suportada numa revisão de literatura, na realização de uma entrevista e no estudo mais aprofundado do Campo de Refugiados de Zaatari, na Jordânia, que comporta características relevantes para a compreensão das questões que dão corpo à dissertação. Apesar de ter sido pensado como tendo um carácter transitório, o Campo de Zaatari é marcado pela forma espontânea como foi reconstruído o seu tecido social, tomando contornos de uma cidade que procura afirmar a sua identidade. Serão também abordados conceitos relativos ao enquadramento humanitário, considerando, em particular, as directrizes estabelecidas, nomeadamente, pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, pela Cruz Vermelha e por organizações não governamentais relacionadas com o realojamento de populações deslocadas. (Celeste de Jesus Damaso Guerreiro)