A investigação tem por objecto o olhar do cinema sobre a cidade sob uma vertente distópica, com incidência nas duas primeiras e nas duas últimas décadas do século XX e início do século XXI. O estudo recai cronologicamente sob dois períodos de transição de século tendo em consideração, naturalmente, o período do aparecimento do cinema e a relação que estabelece com a cidade; e um momento posterior, em que a relação do cinema com a cidade evoluiu sob um prisma distópico.
O principal objectivo é analisar o vínculo entre a cidade, resultante da industrialização, e o cinema, através de uma retrospectiva que demonstra como a imagem cinematográfica acompanhou a transformação das cidades no início do século XX e, como isso se reflectiu na representação do espaço urbano conduzindo a visões urbanas distópicas, sobretudo, no final do século XX e princípio do século XXI. Ao analisarmos os parâmetros do discurso distópico relativamente à cidade procuramos averiguar a razão pela qual, a representação da cidade caminhou no sentido de ausência de perspectiva de vida na cidade nos filmes de ficção científica. No âmbito da pesquisa, a distopia é considerada como um instrumento de leitura que origina a invenção de uma cidade ou mundo, possível a partir do presente que se conhece em paralelo com o futuro que se receia, que permite identificar os anseios e preocupações face às novas dinâmicas sociais que se fazem presentes na sociedade. O cinema, por sua vez, é tido como um instrumento de leitura da realidade histórica, cultural e social, na qual o vínculo entre o homem, o espaço e o tempo foram profundamente alterados com a modernidade. (Andreia Sofia Magalhães Lôbo Sameiro Correia)