O crescimento significativo do envelhecimento nas sociedades atuais coloca em discussão questões como a velhice, a longevidade e a qualidade de vida da pessoa idosa. Ao aumento de tempo de vida acresce a exposição da pessoa a situações de doença e o natural declínio das suas redes pessoais e sociais. Urge a necessidade de desencadear soluções que proporcionem cuidados de saúde, que garantam a satisfação das necessidades, a participação e, por conseguinte, a cidadania das pessoas mais velhas. Este estudo debruça-se sobre a participação da pessoa idosa residente em ERPI nas dinâmicas intrainstitucionais.
Assume-se como um estudo de natureza qualitativa, focalizado na perspetiva da pessoa idosa institucionalizada e dos Assistentes Sociais que exercem funções em ERPI. Realizaram-se entrevistas a residentes e aos Assistentes Sociais, em três ERPI sem fins lucrativos. As entrevistas foram sujeitas à análise de conteúdo. Os resultados revelam que a institucionalização é marcada por fatores externos à vontade da pessoa, como seja, o isolamento, problemas de saúde, falta de habitação e ausência de suporte familiar. Os condicionalismos à participação da pessoa idosa neste contexto surgem, desde logo, no processo de admissão: na decisão de viver em ERPI e na (im)possibilidade de fazer escolhas. O funcionamento e a disciplina das rotinas institucionais limitam a participação dos residentes e conduzem à perda de controlo das suas atividades, hábitos e privacidade; as práticas institucionais carecem de uma alteração de paradigma, que abandone o modelo de funcionamento centralizador e unidirecional que exclui o direito de participação dos residentes em processos decisórios. (Maria da Glória Sobral Aniceto)