O setor segurador tem um papel cada vez mais relevante no desenvolvimento e crescimento das economias, enquanto parte integrante do sistema financeiro, contribuindo de forma decisiva para criação de riqueza a nível mundial e nacional. Face ao atual ambiente macroeconómico, marcado pelas consequências da pandemia recente, por requisitos regulamentares em constante evolução, pelo aumento da concorrência, pela criação de novos produtos de seguro inovadores e pelas fusões e aquisições assistidas, a avaliação do desempenho organizacional torna-se crucial para as empresas, sendo igualmente fundamental para a gestão organizacional em qualquer setor de atividade.
Neste sentido, esta investigação tem como objetivo principal avaliar a performance das empresas seguradoras, com sede em Portugal. Para isso, o estudo aplica um modelo não paramétrico, Data Envelopment Analysis (DEA), para analisar e comparar a eficiência de 37 seguradoras, do ramo vida e não vida, nos últimos cinco anos (2016-2020). Assumiu-se a decomposição do processo produtivo em duas fases, medindo primeiro a performance na produção e comercialização dos produtos (designada por aquisição de prémios) e, depois, na capacidade em gerar retorno para a organização, sendo que o índice de eficiência global advém do produto das duas anteriores.
De um modo geral, as seguradoras do ramo vida em Portugal apresentam níveis de eficiência altos, enquanto as seguradoras do ramo não vida apresentam maiores oportunidades de melhoria, com origem nas ineficiências especialmente nos esforços para a aquisição de prémios. Os resultados evidenciam grandes oportunidades de melhoria na gestão das despesas de funcionamento e nos custos de aquisição por parte das empresas ineficientes. Em ambos os ramos foram identificadas duas empresas eficientes a operar em todo o processo, Fidelidade e Ocidental, em vida, e Multicare e Ocidental, em não vida. Com os resultados apurados, o estudo fornece igualmente estratégias potenciais que as empresas podem seguir.
Espera-se com este estudo disponibilizar informações úteis aos gestores das empresas seguradoras em Portugal e que no futuro, através deste modelo relacional DEA e da correta seleção de inputs e ouputs, estes possam utilizar esta ferramenta para a gestão das suas operações, controlo de gestão e outras atividades. Assim, os gestores serão capazes de avaliar a eficiência da sua empresa face às demais concorrentes, através de um único dado estatístico e, consequentemente, perceber que tipo de opções podem empreender para maximizar os seus resultados ou minimizar os custos. (Tiago Gonçalo Jorge Nobre)