Pretendeu-se desenvolver uma dissertação de mestrado em Design de âmbito histórico em torno da obra pública em azulejo de Maria Keil (1914-2012), um dos nomes mais emblemáticos da azulejaria portuguesa na segunda metade do séc. XX. Almejámos compreender melhor estas suas obras de desígnio público, muito particularmente os painéis de azulejo para revestimento das estações do Metropolitano de Lisboa - o seu conjunto de obras maior, bem como o painel da Avenida Infante Infante Santo, também em Lisboa. Estas obras foram entendidas: à luz do conjunto da sua produção azulejar, que remete para a linguagem dos movimentos artísticos Neorrealismo e Abstracionismo Geométrico, ainda que com um cunho muito pessoal; das restantes práticas artísticas que empreendeu; no confronto com a obra de outros autores que praticaram a azulejaria na mesma época; na relação com o contexto cultural e social; bem como na relação com a tradição da azulejaria portuguesa (vários elementos desta tradição, técnicos e formais, foram, paralelamente a aspetos modernizantes, convocados por Maria Keil, designadamente nos referidos painéis das estações do Metropolitano e no da Avenida Infante Santo, em Lisboa).
A investigação foi realizada com o intuito particular de procurar olhar para as obras públicas azulejares da autora, sob o pondo de vista da História do Design, i.e. para além da História da Arte ou mesmo da História da Arquitetura. Obras como os painéis supracitados que, com sucesso, se articularam com o espaço arquitetónico e contemplaram a boa circulação dos utentes, são para além de composições artísticas, também objectos geradores de ambientes e de comunicação.
Procurou-se ainda averiguar acerca do legado da obra pública em azulejo de Maria Keil para o espaço público e para as novas gerações de artistas, arquitetos e designers. (Maria Inês Manso de Oliveira Rocha)