Esta tese trata da Gestão de Grandes Eventos, particularizando o caso da Expo’98.
Foi feita uma revisão sistemática da literatura que teve como ponto de partida a seleção de um conjunto de palavras-chave que levaram a uma das questões de partida, que foi porque é que a realização de um grande evento público, gera, na maioria dos casos, derrapagens orçamentais?
De seguida foi feita uma revisão bibliométrica da literatura tendo por base as palavras-chave anteriormente identificadas.
Numa terceira fase e para culminar as revisões sistemáticas e bibliométricas da literatura apresenta-se a revisão crítica dos principais conceitos associados à temática da Gestão de Eventos.
Surge depois uma segunda questão de investigação, quem são os principais atores (partes interessadas) envolvidas nas várias etapas da realização (pré, durante e pós-evento) de um evento de grande dimensão?
Uma outra questão levantada é qual é o posicionamento estratégico na perspetiva económico-financeira da gestão de um grande evento?
Uma última questão é qual a relação da gestão de um grande evento público e a sustentabilidade, nomeadamente a perceção dos principais agentes sobre a aplicabilidade da norma ISO 20121?
Para responder a estas perguntas foi usada nesta tese uma abordagem metodológica construtivista de natureza qualitativa. Assim, foi usado um estudo de caso, a Exposição Mundial de Lisboa de 1998 (Expo’98). A análise dos dados foi realizada através de uma análise documental das demonstrações financeiras da Sociedade Parque Expo 98, SA do período compreendido entre 1998 (ano da Exposição) e 2017 (data da conta final de liquidação). Para o estudo de caso foi também analisado o relatório elaborado no ano 2000, pelo Tribunal de Contas, sobre o Projeto Expo’98.
Foram ainda realizadas seis entrevistas semiestruturadas que ajudaram a responder às questões de investigação enunciadas.
Conclui-se sobre o impacto que a Expo teve para os contribuintes, quer através do investimento feito, quer através das sucessivas perdas que a empresa sofreu e que oneraram o erário público.
Apresenta-se ainda um modelo de sustentabilidade na gestão de grandes eventos, onde o posicionamento estratégico da dimensão económico-financeira é central. (Fernando Manuel dos Santos Cardoso)